Espelho Mágico foi a 20ª novela das 20h da Globo. Escrita por Lauro César Muniz, com Daniel Filho, Gonzaga Blota e Marco Aurélio Bagno e direção geral de Daniel Filho. Exibida entre 14 de junho e 5 de dezembro de 1977, em 150 capítulos, sucedendo Duas Vidas e antecedendo O Astro.
Com Tarcísio Meira, Glória Menezes, Juca de Oliveira, Daniel Filho, Tony Ramos, Lídia Brondi, Yoná Magalhães, Vera Fischer e Lima Duarte nos papéis principais.
Enredo[]
Diogo Maia (Tarcísio Meira) e Leila Lombardi (Glória Menezes) são um casa de atores de novelas, muito famosos pelos papéis que fazem. Eles protagonizam a novela "Coquetel de Amor", escrita pelo jornalista e dramaturgo Jordão Amaral (Juca de Oliveira) e dirigida por João Gabriel (Daniel Filho). Jordão foi casado com Leila, com quem teve a filha Beatriz (Lídia Brondi) que se opõe ao relacionamento da mãe com Diogo. Ainda apaixonado pela ex, Jordão externaliza seu amor pela atriz através do texto que escreve para ela em "Coquetel de Amor".
Jordão é casado com Norma Pelegrine (Yoná Magalhães), uma atriz que estava muitos anos afastada da TV e aceitou atuar em "Coquetel de Amor". Porém, em um papel coadjuvante, diferente das protagonistas que fez no passado, o que a deixa frustrada.
Coquetel de Amor[]
Logotipo da novela fictícia
O amor do compositor Ciro (Diogo Maia) por Rosana (Leila Lombardi) é ameaçado pelo retorno de Débora (Diana Queiroz) da Europa, que cobra satisfações dele sobre a identidade de sua mãe. Mas ela sequer desconfia que sua verdadeira mãe está bem perto dela: a governanta Assunta Diana Queiroz (Norma Pelegrine).
Após arquitetar um plano misterioso, Ciro é dado como morto quando o iate sabotado onde estava explode em alto mar antes do planejado. Porém, ele sobrevive e vai parar em uma ilha. Enquanto isso, seus comparsas, mesmo acreditando que Ciro está morto, coloca dentro da família o "testa-de-ferro" dele, Cristiano (Paulo Morel). E este, se envolve com Rosana.
Elenco[]
| Intérprete | Personagem | Em Coquetel de Amor |
|---|---|---|
| Tarcísio Meira | Diogo Maia | Ciro |
| Glória Menezes | Leila Lombardi | Rosana |
| Juca de Oliveira | Jordão Amaral | Autor |
| Yoná Magalhães | Nora Pelegrini | Assunta |
| Sônia Braga | Maria Jacinta Barbosa / Cynthia Levy | Camila |
| Tony Ramos | Paulo Morel | Cristiano |
| Vera Fischer | Diana Queiroz | Débora |
| Daniel Filho | João Gabriel | Diretor |
| Pepita Rodrigues | Bruna Maria Novaes | Kátia |
| Nélson Caruso | Newton Viana | Roberto |
| Yara Amaral | Suzete Calmon | Ernestina |
| Maria Lúcia Dahl | Morena Mendes | Paula |
| Jorge Botelho | Jorge Maya | Eduardo |
| Djenane Machado | Helena Esperança / Lenita | Neide |
| Lima Duarte | Bartolomeu Esperança (Carijó) | — |
| Lídia Brondi | Beatriz Lombardi Amaral | — |
| Mauro Mendonça | Nelson Novaes | — |
| Carlos Eduardo Dolabella | Edgar Rabello | — |
| Milton Moraes | Vicente Drummond | — |
| Sérgio Britto | Gastão Cortez | — |
| Kito Junqueira | Nestor Rey | — |
| Heloísa Millet | Luíza Barbosa | — |
| Jorge Cherques | Alfredo Barbosa | — |
| Solange França | Nair Barbosa | — |
| Frederico Ramos | Diogo Lombardi Maia Júnior | — |
Participações especiais[]
| Intérprete | Personagem |
|---|---|
| Aguinaldo Rocha | Durval |
| Antonio Pitanga | Bernardes |
| Bibi Vogel | Ela mesma |
| Emiliano Queiroz | Ele mesmo |
| Margot Britto | Repórter |
| Rejane Marques | Empregada doméstica de Ciro em Coquetel de Amor |
| Sylvia Kristel | Ela mesma |
| Yara Cortes | Dona Hortência |
| Moacyr Deriquém | — |
Produção[]
Com a intenção de abordar e desnudar a rotina dos profissionais do ramo artístico, a trama propôs uma metalinguagem ousada até então: uma novela dentro de outra novela. Apresentando a trama principal, e a novela fictícia estrelada pelos personagens da mesma.
Lauro César Muniz se inspirou na sua própria carreira como autor para compor Jordão Amaral (Juca de Oliveira). O nome do personagem veio do pseudônimo que Lauro usou ao escrever a novela Estrelas no Chão de 1967 da Tupi. Para mostrar o lado real dos artistas, o autor se cercou de depoimentos de atores do próprio elenco. Daniel Filho diretor da novela, também interpretou o diretor da novela fictícia. A trama principal — tanto da novela real quanto da fictícia — era inspirada na peça francesa “Cyrano de Bergerac” de Edmond Rostand, que na ficção havia uma montagem estrelada por Diogo (Tarcísio Meira). Assim como os nomes dos personagens principais de "Coquetel de Amor".
Daniel Filho desejava Rosamaria Murtinho para viver Nora e Mauro Mendonça como Jordão. Assim, o casal da vida real viveria um casal na ficção. Porém, Rosamaria foi remanejada para Nina. O papel ficou com Yoná Magalhães, que viveria Bruna Maria, e que ficou com Pepita Rodrigues, que viveria Cynthia Levy. Mauro trocou de papel com Juca de Oliveira, que viveria Nelson. Ziembinski viveria ele mesmo, que dirigiria a peça teatral da trama, mas desistiu. E então, foi criado um diretor fictício. Armando Bógus viveria Edgar e Sandra Bréa recusou o papel de Dianam.
Foi a primeira novela da história da televisão brasileira a ter uma atriz trans no elenco: Cláudia Celeste, que foi escalada sem saber da sua condição. Quando foi descoberta, teve que deixar o elenco, pois o regime militar na época proibia a presença de "travestis" na televisão. Também foi a primeira novela de Tony Ramos na Globo, egresso da Tupi. Na reta final, ele emendou as gravações da novela com as dos primeiros capítulos de O Astro.
Três teatros reais do Rio de Janeiro foram utilizados para as gravações da trama de “Cyrano de Bergerac”. O espetáculo foi dirigido pelo francês Etienne Le Meur, com direção de corpo de Klaus Vianna, direção de voz de Glorinha Beuttenmüller, e aulas de esgrima com o professor Próspero Gargaglioni. As cenas de teatro de revista de Carijó (Lima Duarte) contou com a participação da companhia da ex-vedete Brigitte Blair e dela própria.
Elementos de ficção e realidade se misturaram no enredo. Além de ter Glória Menezes e Tarcísio Meira interpretando um casal de atores famosas, outros atores viveram personagens cujos trabalhos eram os mesmos que os deles. Foi o caso de Milton Moraes, que viveu um dublador, e Heloísa Milet, que viveu uma bailarina. A personagem Diana de Vera Fischer era uma ex-miss que atuou em pornochanchadas e estreava na televisão, assim como Vera. Na trama, Nora (Yoná Magalhães) havia atuado no filme real "Deus e o Diabo na Terra do Sol", em que Yoná atuou e cenas eram exibidas na novela.
Alguns atores fizeram participações interpretando eles mesmo. A participação mais emblemática foi a da atriz neerlandesa Sylvia Kristel, conhecida por protagonizar a saga de filmes "Emanuelle". Ela esteve no Brasil, na época, para divulgar a estreia de um filme.
A trama de "Coquetel de Amor" era simples e romântica, e apresentava referências a teledramaturgia brasileira como uma homenagem de Lauro a seus colegas novelistas. A novela fictícia tinha sua própria estritura, como cenografia, figurinos e trilhas sonoras. Todos os bastidores de sua "produção" eram mostrados na trama. Em cerca de cada três capítulos da novela real, uma era exibida a novela fictícia. Isso aconteceu a partir do capítulo 36 (exibido em 25 de julho 1977), que se dividia para exibir "Coquetel de Amor". Que contava com abertura própria (com os personagens atores creditados) ao som da música "Bandido Corazón" de Ney Matogrosso. Tanto abertura, quanto o tema, foram reaproveitados da censurada novela Despedida de Casado.
O ineditismo da novela gerou consequências. O horário sofreu uma severa queda de audiência (na época, O Profeta da Tupi estava em seu começo e fazendo sucesso), o público não entendeu a proposta da trama. E além disso, recebeu várias críticas de artistas e autores que consideravam uma novela uma ofensa ao trabalho artístico. A crítica de maior repercussão foi a de Chico Anysio, que chamou a novela de "brincadeira de mal gosto". Janete Clair se sentiu plagiada com as referências à novela O Semideus em "Coquetel de Amor", quando, na verdade, Lauro César Muniz queria fazer homenagem.
Profissionais de imprensa repudiaram o comportamento do Edgar Rabello (Carlos Eduardo Dolabella), um jornalista do mundo artístico. Em especial, a revista Amiga, uma vez que a revista fictícia Magia, do qual Edgar era colunista, era um anagrama para o nome da publicação da Bloch Editores.
Com tantas controvérsias, foi considerada uma novela polêmica e um fracasso. Em 2024, Boni afirmou que aprovar a novela foi o maior arrependimento da sua carreira. No entanto, foi aclamada pela crítica especializada, chegando a conquistar o Troféu APCA. Para contornar o fracasso, a trama diminuiu o foco nos bastidores e passou a abordar mais os conflitos dos personagens, o que não deu certo. Mas fez sucesso a expressão "Pomba!", dita por Maria Jacinta (Sônia Braga).
Foi a primeira novela da Globo cujos créditos de abertura surgiram em ordem alfabética. Foi uma ideia do então executivo Borjalo, para evitar questões de ego entre os atores. Uma vez que personagens principais e atores mais consagrados costumam ser creditados primeiro.
Em 8 de dezembro de 1977, Yoná Magalhães sofreu um acidente de carro e ficou oito dias afastada.
Em 20 de janeiro de 2025, o Globoplay disponibilizou os 7 capítulos disponíveis no acervo da emissora através do Projeto Fragmentos. São estes: 1, 2, 75, 76, 105, 149 e 150.