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O Astro foi a 20ª novela das oito da Globo. Escrita por Janete Clair, com direção de Daniel Filho, Gonzaga Blota e Marco Aurélio Bagno, e direção geral de Daniel Filho, exibida entre 6 de dezembro de 1977 e 8 de julho de 1978, em 185 capítulos, sucedendo Espelho Mágico e antecedendo Dancin' Days.

Com Francisco Cuoco, Dina Sfat, Tony Ramos, Elizabeth Savalla, Flávio Migliaccio, Edwin Luisi, Rubens de Falco, Dionísio Azevedo e Tereza Rachel nos papéis principais.

Enredo[]

Quando Herculano (Francisco Cuoco) e Neco (Flávio Migliaccio) aplicam um golpe na igreja de uma pequena cidade e são descobertos, Herculano consegue escapar, deixando o filho para trás, mas Neco foge com o dinheiro. Anos depois, no Rio de Janeiro, Herculano passa se apresentar como vidente e ilusionista em uma churrascaria. Em uma de suas apresentações, conhece Amanda (Dina Sfat), uma mulher rica por quem ele se interessa.

Paralelamente, na família Ayala, o empresário Salomão (Dionísio Azevedo) deseja que seu filho Márcio (Tony Ramos) assuma seu lugar nas empresas do clã. Mas o jovem renega sua herança e recusa a fortuna. Márcio conhece Herculano e este o convence a assumir sua condição. Mas acaba levando o vidente junto para a empresa, sendo visto com desconfiança. Lá, Herculano se aproxima de Amanda, gerando ódio no ex-marido dela, Samir (Rubens de Falco).

Márcio se apaixona pela humilde batalhadora Lili (Elizabeth Savalla), cujo romance enfrenta a resistência da família dele, que não aceita a moça. E Herculano se torna diretor das empresas dos Ayala, travando uma guerra contra Samir. Quando Herculano é acusado de fraude, ele foge para um país da América Latina, abandonando Amanda. Tornando-se conselheiro e guru do presidente.

Elenco[]

Intérprete Personagem
Francisco Cuoco Herculano Quintanilha
Dina Sfat Amanda Mello Assumpção
Elizabeth Savalla Lilian Paranhos (Lili)
Tony Ramos Márcio Hayala
Rubens de Falco Samir Hayala
Tereza Rachel Clotilde Hayala (Clô)
Dionísio Azevedo Salomão Hayala
Carlos Eduardo Dolabella Natalício Valença (Natal)
Stepan Nercessian Alan Quintanilha
Edwin Luisi Felipe Cerqueira
Flávio Migliaccio Nestor da Silva (Neco)
Ângela Leal Laura Paranhos da Silva (Laurinha)
Eloísa Mafalda Consolação Paranhos
Ida Gomes Tia Magda
Heloísa Helena Beatriz
Sílvia Salgado Joselina Mello Assumpção Hayala (Jose)
Hélio Ary Agenor Mello Assumpção
Macedo Neto Amin Hayala
Marilena Cury Nadja Hayala
Isaac Bardavid Youssef Hayala
Leda Borba Jamile Hayala
Telma Elita Myrian Lambert Mello Assumpção
Ênio Santos Dr. Pirilo Cerqueira
Marília Barbosa Mara Célia
Cleyde Blota Doralice
Paulo Gonçalves Inspetor Malvino
Paulo Ascenção Paulinho
Rejane Marques Luísa Paranhos
Tony Ferreira Gilberto
José Luiz Rodi Henri
Edson Silva Almeidinha
Maria Sílvia Tânia
Juan Daniel Seu Dondinho
Maria Helena Velasco Valéria
Mira Palheta Sílvia
Luiz Macedo Zeca
César Augusto Joaquim
Cecília Loyola Nilza
Aguinaldo Rocha Dr. Jandir
Carlos Poyart Nequinho
Michele Bulos Michele
Newton Martins Delegado
Nestor de Montemar Padre Laurindo
Zé Preá Mordomo da família Hayala
Zilda Pereira Carmem
Afonso Stuart Presidente Ramón
Angelito Mello Dr. Tiago
Athaide Arcoverde homem no bar
Denny Perrier Frei Justino
Luiz Carlos Niño Alan (criança)
Dirceu de Mattos Dr. Cardoso
Francisco Dantas Mestre Canário
Edi Heath Detetive Soares
Gonzaga Blota Dr. Jorge Lima
José Maria Monteiro Dr. Lorival Cintra
Kleber Drable Dr. Pirilo Mendonça / Dr. Travassos
Maurício Barroso Ernani Menezes
Newton Martins Delegado Décio Loyola
Rejane Schumann Rita
Tâmara Taxman amiga de Herculano
Angelina Muniz empregada dos Melo Assunção

Produção[]

À princípio, estava programado para que Gilberto Braga assumisse a faixa após Espelho Mágico, mas na época ele machucou o ombro, ficando impedido de escrever. Logo, Janete Clair foi acionada. A missão da trama era levantar a audiência baixa do horário por causa de Espelho Mágico e enfrentar a novela O Profeta da Tupi, concorrente direta e que fazia sucesso.

Teve como primeiro título provisório "O Bruxo", uma vez que o protagonista Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco) foi inspirado em José López Rega, ex-ministro do Bem-Estar Social da Argentina apelidado de "El Brujo" por ter forte influência sobre os ex-presidentes Juan e Isabelita Perón. Mas o título foi vetado pela censura federal. Depois, "O Todo-Poderoso" foi outro título provisório. Outra referência a Herculano foi Rasputin, líder espiritual do último czar russo, e Tartufo, personagem da peça de Moliére. a trama da família Hayala fopi inspirada na peça "Hamlet" de William Shakespeare.

Francisco Cuoco hesitou por um momento em interpretar Herculano pois queria descansar sua imagem. Chegou a ser cogitado Paulo Gracindo para substituí-lo, mas Cuoco aceitou papel. Para Márcio, estavam cotados Dennis Carvalho, Edwin Luisi e Stepan Nercessian. Enquanto Tony Ramos seria Alan. Mas Dennis Carvalho preferiu se dedicar à direção e os papéis foram trocados: com Tony Ramos ficando com Márcio, Edwin Luisi com Felipe e Stepan Nercessian com Alan.

Tony Ramos havia participado dos testes para o papel de Jose, contracenando com as atrizes testadas. E sua interpretação acabou animando Daniel Filho. Assim, durante as primeiras semanas, gravou os primeiros capítulos da novela enquanto gravava os últimos capítulos de Espelho Mágico e apresentava o Globo de Ouro. Na pele de Márcio, protagonizou a primeira cena de nu masculino (velado) em novelas. Onde ele se despe e vai para a rua despido, até ser coberto com um casaco por um jardineiro. Sequência antológica que aconteceu no início da trama.

Moacyr Deriquém foi pensado para viver Salomão e Fernanda Montenegro para viver Clô, mas a emissora não conseguiu chegar a um acordo com Fernanda em relação ao salário. Deriquém foi remanejado para viver Cerqueira e depois ficou fora do elenco. Outros atores escalados que tiveram que ser trocados foram Roberto Bonfim e Samir de Montemor. Dezenas de atrizes, a maioria estreantes, fizeram testes para o papel de Jose. Elizabeth Savalla foi chamada para a personagem, mas quis interpretar Lili ao se encantar com o papel.

O único cenário fixo erguido (que não era desmontado), era do da mansão dos Hayala, e um casarão no Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro, serviu de fachada externa. Outras fachadas foram a casa de Herculano (Francisco Cuoco), em frente ao Itanhangá Golf Club, e o açougue de Natal (Carlos Eduardo Dolabella), no bairro da Usina (que na ficção ficava no Engenho Novo). A churrascaria em que Herculano se apresentava ficava no Alto da Boa Vista.

O turbante usado por Herculano foi uma ideia improvisada de Daniel Filho que surgiu durante uma gravação na churrascaria. Ele acreditou que o personagem precisava algum adereço a mais, então a figurinista Kalma Murtinho cortou uma calça de veludo e improvisou um turbante com um alfinete. Quando Boni viu a cena com o acessório, achou mal feito e mandou regravá-la. Nos primeiros capítulos, aparecia a imagem de baphomet, que foi retirada a pedido de Janete Clair.

Com a intenção de concorrer com O Profeta, a novela da Globo tinha semelhanças com a da Tupi, como a abordagem sobrenatural e um protagonista de caráter dúbio. Mas como a novela de Janete Clair estreou durante o ápice da de Ivani Ribeiro, o folhetim global teve dificuldades de conquistar o público em seu começo. Tanto que, em 19 de janeiro de 1978, O Profeta liderou na audiência contra a novela das oito. Um feito histórico em uma época que as novelas da Globo monopolizavam a audiência.

Com o fim de O Profeta, a novela deslanchou em audiência a ponto de se tornar um fenômeno popular e mudar os hábitos do público. Reuniões e recepções mudavam de horário para não coincidir com a exibição da trama. Bares e restaurantes ficaram vazios quando a novela ia ao ar. Maria Bethânia, que se apresentava no Canecão, exigiu uma televisão em seu camarim para poder acompanhar a história. O interesse do público pela produção se tornou maior que o pela Copa do Mundo da Argentina.

Uma "comoção nacional" ocorreu após o assassinato misterioso de Salomão Hayala (Dionísio Azevedo), gerando curiosidade sobre quem o matou. Até o então presidente da república Ernesto Geisel perguntou a Daniel Filho, que foi a Brasília junto à classe artística durante a assinatura da lei que regulamentava a profissão de ator, quem era o assassino secreto. A revelação aconteceu no capítulo de 5 de julho de 1978, na semana final: foi Felipe (Edwin Luisi), com a cumplicidade do amigo cabeleireiro Henri (José Luiz Rodi), com uma coronhada de revolver em punho. Janete Clair se inspirou no caso real do assassinato de uma moça cujos acusados era um dependente químico e seu amigo cabeleireiro.

Uma frase célebre foi escrita por Carlos Drummond de Andrade em sua coluna no Jornal do Brasil e publicada em 11 de julho de 1978, após o fim da novela e comentando sobre a repercussão dela: “Agora que O Astro acabou vamos cuidar da vida, que o Brasil está lá fora esperando."

A censura federal foi responsável por modificações na trama de Márcio (Tony Ramos) e Lili (Elizabeth Savalla). Originalmente, o casal teria um filho estando solteiros e depois se separariam. Por conta do veto, foi feito uma cena de casamento as pressas e inserida no capítulo 40, que já estava gravado. Depois, eles se separaram por desquite litigioso, justificando o ocorrido em tão pouco tempo de matrimonio, uma agressão de Márcio contra Lili. Em uma cena que foi censurada e foi exibida editada. Outra briga, entre Neco (Flávio Migliaccio) e Laurinha (Ângela Leal), também precisou ser editada. Por conta da censura, o vício em cocaína de Felipe não ficou explícito (ele não apareceu consumindo a droga). Assim como ficaram implícitos o caso de Felipe com Clô (Tereza Rachel), e os casos extraconjugais de Youssef (Isaac Bardavid) e de Laurinha.

Janete Clair fez uma provocação na cena em que Amanda (Dina Sfat) abandona Herculano no casamento. Em 1972, na novela Selva de Pedra, a censura proibiu que Cristiano (Francisco Cuoco) e Fernanda (Dina Sfat) se casasse, então a autora teve que fazer Fernando abandoná-la no altar. Na novela de 1977, ocorreu o inverso, como se Fernanda tivesse "se vingado" de Cristiano.

Originalmente, estava prevista para terminar em 173 capítulos. Mas foi esticada para 185 para que a estreia de Dancin' Days não coincidisse com a final da Copa do Mundo. O último capítulo foi exibido em um sábado e reapresentado no sábado seguinte, após um capítulo de Dancin' Days.

Reprise[]

Em 12 de fevereiro de 1980, foi exibida em um compacto de 90 minutos no Festival 15 Anos, com apresentação de Tony Ramos. Entre 2 de fevereiro e 3 de abril de 1981, foi reprisada na faixa das 22h30 em 40 capítulos, sucedendo Duas Vidas. Marcou 21,91 Pontos de média geral de audiência.

Remake[]

Entre 12 de julho e 28 de outubro de 2011, foi ao ar um remake da novela, que inaugurou a faixa de novelas das 23h. Com 64 capítulos, foi escrita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro. Com Rodrigo Lombardi como Herculano Quintanilha, Carolina Ferraz como Amanda, Thiago Fragoso como Márcio, Alinne Moraes como Lili, Daniel Filho como Salomão Hayala e Regina Duarte como Clô. Além de Daniel Filho, Francisco Cuoco fez uma participação especial no primeiro capítulo como Ferragus. Onde foram exibidas cenas da versão original com Cuoco e Dina Sfat.