O Casarão foi a 17ª novela das 20h da Globo. Escrita por Lauro César Muniz, com direção de Daniel Filho e Jardel Mello, produção executiva de Moacyr Deriquém e direção geral de Daniel Filho, exibida entre 7 de junho e 11 de dezembro de 1976, em 159 capítulos, sucedendo Pecado Capital e antecedendo Duas Vidas.
Com Paulo Gracindo, Yara Cortes, Mário Lago, Gracindo Júnior, Sandra Barsotti, Dennis Carvalho, Oswaldo Loureiro, Miriam Pires, Analu Prestes, Édson França, Tony Correia, Lutero Luiz, Laura Soveral, Aracy Balabanian, Paulo José, Renata Sorrah, Armando Bógus, Marcos Paulo e Daisy Lúcidi nos papéis principais.
Enredo[]
A trama conta a saga da família Leme durante cinco gerações, em três épocas diferentes. Abordando o poder e o declínio do clã através de um grande casarão construído na fazenda Água Santa, em Sapucaí, cidade do norte paulista. A fazenda de propriedade da família é o pano de fundo da história.
Em 1900, Deodato Leme (Oswaldo Loureiro), chefe político da região e grande fazendeiro do ramo cafeeiro consegue fazer com que parte da linha ferroviária passe pelos limites de suas terras, para facilitar o transporte de café. Casado com a oprimida Olinda (Miriam Pires), é pai de Maria do Carmo (Analu Prestes), que se apaixona por Jacintho (Tony Correia), imigrante português que trabalha como operário na construção da ferrovia. Porém, Maria do Carmo se submete às ordens do pai e se casa Eugênio (Édson França), engenheiro responsável pela obra, e Jacintho é expulso da Fazenda. Anos depois, Deodato é assassinado devido a uma emboscada armada pior Eugênio, que se tornou o dono das terras do sogro.
A partir de 1926, a cidade de Sapucaí vive o progresso, o que causa a decadência da fazenda Água Santa. Maria do Carmo vive um relacionamento infeliz com Eugênio e tenta fazer com que Carolina (Sandra Barsotti) se case com Atílio (Dennis Carvalho), filho de Jacintho e em início de carreira política. Projetando a realização de seus sonhos frustrados no passado com esta relação. Mas Carolina acaba se apaixonando fortemente por João Maciel (Gracindo Júnior), humilde pintor e escultor filho do capataz da fazenda. Os dois planejam fugir para São Paulo em busca de novas oportunidades, mas João Maciel parte sozinho e retorna anos depois. Quando Carolina está noiva de Atílio, por imposição familiar devido a falência gerada por conta da Grande Depressão de 1929.
Por fim, em 1976, tempo presente do enredo, a fazenda Água Santa vive uma forte derrocada devindo a industrialização da cidade e a migração dos moradores rurais para áreas urbanas. O local possui apenas um terço de sua área original. Carolina (Yara Cortes) e Atílio (Mário Lago) vivem um casamento calmo e tiveram três filhos. Ela acompanha de longe o sucesso de João Maciel (Paulo Gracindo) como artista, guardando recortes de jornais sobre a sua carreira. Paralelamente, Lina (Renata Sorrah), filha de Alice (Daisy Lúcidi) e neta de Carolina, decide romper seu casamento com Estevão (Armando Bógus) e decidindo viver com o homem que ama, Jarbas (Paulo José), amigo de João Maciel. Contrastando com o destino imposto à sua avó e sua bisavó.
Elenco[]
| Intérprete | Personagem | ||
|---|---|---|---|
| Período 1900-1910 | Período 1926-1936 | Período 1976 | |
| Oswaldo Loureiro | — | Deodato Leme | |
| — | Olinda Pires de Almeida Leme | ||
| — | Maria do Carmo Leme | ||
| — | Eugênio Galvão | ||
| — | Jacinto de Souza | ||
| Ana Maria Grova | Laura Soveral | — | Francisca |
| Carlos Durval | — | Eliseu | |
| Lutero Luiz | — | Afonso Estradas | |
| Paulo Gonçalves | — | José Cardoso (Cardosão) | |
| Hélio Ary | — | Vigário Felício | |
| Juan Daniel | — | Ramón | |
| Maria Teresa Barroso | — | Eudália | |
| — | Gracindo Júnior | Paulo Gracindo | João Maciel |
| — | Sandra Barsotti | Yara Cortes | Carolina Leme Galvão |
| — | Dennis Carvalho | Mário Lago | Atílio de Souza |
| — | Ivan Cândido | — | Valentim |
| — | Rui Resende | — | Abelardo |
| — | Flávio Migliaccio | — | Coringa |
| — | Nestor de Montemar | — | Gervásio |
| — | Fábio Sabag | — | Dom Gaspar |
| — | Thelma Reston | — | Margarida |
| — | Augusto Xavier | — | Felipe |
| — | Aracy Balabanian | Violeta | |
| — | Paulo José | Jarbas Martins | |
| — | Renata Sorrah | Carolina Bastos (Lina) | |
| — | Armando Bógus | Estevão Bastos | |
| — | Daisy Lúcidi | Alice Galvão de Souza Lins | |
| — | Bete Mendes | Vânia | |
| — | Fernando Villar | Francisco Lins | |
| — | Marcelo Picchi | Aldo | |
| — | Maria Cristina Nunes | Teresa | |
| — | Ida Gomes | Berta | |
| — | Moacyr Deriquém | Sérgio | |
| — | Nilson Condé | Padre Milton | |
| — | Arthur Costa Filho | Arturo | |
| — | Waldir Maia | Jaime Cabral / Zenóbio | |
| — | Fernando José | José Rezende | |
| — | Rosi Campos | Ivete Mendes | |
Participações especiais[]
| Intérprete | Personagem |
|---|---|
| Arlete Salles | Maria Helena |
| Aurimar Rocha | Dr. Saraiva |
| Elizângela | Mônica |
| Elza Gomes | Irmã Lurdes |
| Ênio Santos | Saul |
| Heloísa Helena | Mathilde |
| Neila Tavares | Célia |
| Neuza Amaral | Marisa |
| Sandra Pêra | Angélica |
| Tamara Taxman | Lídia |
| Thelma Elita | Conceição |
| Zilka Salaberry | Mercedes |
Produção[]
Inspirada no teleteatro "A Estátua" da Excelsior de 1961, que por sua vez originou a peça "A Morte do Imortal" de 1966, a novela revolucionou a teledramaturgia com seu estilo de dramaturgia na época. As três fases da trama eram apresentadas simultaneamente, sem linearidade ou relação entre os acontecimentos de cada época e sem demarcação de "flashbacks". Assim, a história era apresentada ao público aos poucos e revelando o que aconteceu no passado para contextualizar o que acontecia no período presente da trama. Um formato semelhante ao empregado em O Rebu.
O ineditismo ocasionou a baixa audiência em seu começo. O público da época ficou confuso com a exibição das fases, uma vez que o telespectador nunca sabia quando a trama saltaria de um tempo para o outro. Mas com o tempo, os telespectadores passaram a entender melhor a novela, que se tornou um sucesso. Além disso, a produção foi aclamada pela crítica especializada.
Os três períodos mostravam três épocas diferentes da história do Brasil e que eram abordadas pela trama. O cenógrafo Mário Monteiro montou em Guaratiba, três fachadas para o casarão da trama, um para cada período. Retratando sua ascensão, auge e declínio do mesmo. No final da história, os herdeiros da fazenda decidem transformá-la em um loteamento, mas uma linha ferroviária estava planejada para ser construída exatamente onde estava situado o casarão, causando assim a sua demolição. O imóvel que foi construído durante a construção de uma ferrovia, iria abaixo pela mesma razão.
Paulo Gracindo foi disputado pela equipe da novela e pela de Saramandaia. A decisão ficou com Boni, que escolheu a novela de Lauro César Muniz para que o ator estivesse no elenco. O que causou um desentendimento entre Dias Gomes e Daniel Filho. Para viver Carolina, os primeiros nomes pensados foram Suely Franco (na fase 1926) e Fernanda Montenegro (na fase 1976). Mas Fernanda recusou o papel justificando que teria que viver uma personagem mais velha que ela, e que a deixaria em desvantagem com Paulo Gracindo, que tinha a idade de seu personagem. Pai e filho viveram o mesmo personagem em épocas diferentes, Paulo Gracindo viveu José Maciel mais velho e Gracindo Júnior, mais jovem.
Gravada inicialmente nos estúdios da Globo no Jardim Botânico, foi realocada para os estúdios Herbert Richers devido ao incêndio na sede da emissora que ocorreu em 4 de junho de 1976, três dias antes da estreia.
A censura federal causou modificações na trama envolvendo o romance de Lina (Renata Sorrah) e Jarbas (Paulo José). Originalmente, eles se apaixonariam enquanto ela estivesse casada com Estevão (Armando Bógus). A censura não permitiu entendendo como "adultério". Com isso, Lina desquitou de Estevão e apenas depois disso, apaixonou-se por Jarbas. Além disso, a Divisão de Censura de Diversões Públicas não permitiu que Lina usasse anticoncepcionais e vetou cenas de tramas políticas envolvendo o antigo PRP (Partido Republicano Paulista), o que diminuiu a presença de diversos personagens destes enredos, e atos de "coronelismo", onde fazendeiros cometiam arbitrariedades e usavam do poder econômico que tinham para manipular a política regional.
Tornou-se a segunda novela brasileira exibida em Portugal, sucedendo Gabriela na RTP1, e alcançando grande êxito.
Reprise[]
Em 28 de janeiro de 1980, foi reapresentada em um compacto de 90 minutos no Festival 15 Anos, com apresentação de Yara Cortes. Foi reprisada na faixa das 20h em formato compacto de 18 capítulos entre 21 de março e 9 de abril de 1983, antecedendo Sol de Verão que foi encurtada, e sucedendo Loucoi Amor até que esta pudesse ser exibida. Marcou 27,94 Pontos de Média Geral de Audiência.