O Rebu foi a 20ª novela das 22h da Globo. Escrita por Bráulio Pedroso, com direção de Walter Avancini e Jardel Mello, e supervisão de Daniel Filho. Exibida entre 4 de novembro de 1974 e 11 de abril de 1975.
Com Ziembinski, Buza Ferraz, Bete Mendes e Lima Duarte nos papéis principais.
Enredo[]
O banqueiro Conrad Mahler (Ziembinski) organiza uma festa em sua mansão para recepcionar uma princesa italiana. No evento, há gente de todo tipo, dentre ricos e penetras, como o bandido Boneco (Lima Duarte). A celebração acaba quando, na piscina da mansão, é encontrado um cadáver boiando. A partir de então, todos os convidados e pessoas presentes na mansão são suspeitas do crime ou podem ser a pessoa morta.
No dia seguinte, ocorre a investigação sobre a morte. E a trama se desenrola em três partes: durante a noite da festa, no dia seguinte à festa e em acontecimentos de antes da festa. Mostrando que muitos dos presentes tinham conflitos uns com os outros e havia uma disputa econômica envolvendo um banco.
Elenco[]
| Intérprete | Personagem |
|---|---|
| Ziembinski | Conrad Mahler |
| Buza Ferraz | Cauê |
| Bete Mendes | Sílvia |
| Lima Duarte | Boneco |
| Tereza Rachel | Lupe Garcez |
| Yara Côrtes | Maria Angélica de Lara Campos (Dona Babu) |
| Mauro Mendonça | Álvaro Rezende |
| Isabel Ribeiro | Glorinha Rezende |
| José Lewgoy | Carlos de Braga Vidigal |
| Arlete Salles | Lídia Braga |
| Carlos Vereza | Laio Martins |
| Maria Cláudia | Helena Martins |
| Regina Vianna | Roberta Menezes |
| Isabel Teresa | Ana Lúcia |
| Felipe Wagner | Dr. Davi Menezes |
| Ivan Setta | Morel |
| Lajar Muzuris | Tales |
| Selma Lopes | Marina |
| Rodrigo Santiago | Kiko |
| Maria Helena Velasco | Lindona |
| Edson França | Delegado de polícia Xavier |
| Marília Branco | Princesa Olympia Boncompagni |
| Ruth de Souza | Lurdes |
| Haroldo de Oliveira | Astroige |
| Clementino Kelé | Nilo |
Produção[]
A novela revolucionou com seu formato de narrativa ousada. Não-linear, ela se passava em apenas dois dias e dividida em três partes que se alternavam. Revelando, aos poucos os mistérios que desvendaram quem matou, quem morreu, e a causa da morte. Isso demandava um grande esforço do elenco, que tinha que ficar atento à continuidade. O mesmo figurino era usado por alguns atores durante meses. O ineditismo causou estranheza no público, que não entendeu a quebra da narrativa convencional de uma novela, mas que conseguiu a aclamação da crítica especializada. Seu título provisório era "A Festa".
Inicialmente, a única coisa apresentada era um corpo boiando na piscina. Aparentava ser de um homem devido às vestes, mas em determinado momento, foi mostrado que, durante a festa, algumas mulheres resolveram brincar de cortar os cabelos e se vestirem como homens. Causando mais mistério.
A revelação do corpo aconteceu no capítulo 50, no qual versões com vários atores foram gravadas. A personagem morta era Silvia (Bete Mendes), que mantinha uma relação amorosa com Cauê (Buza Ferraz), filho adotivo de Conrad Mahler (Ziembinski). A identidade do assassino aconteceu no último capítulo: foi Mahler, por ciúmes de Cauê, que após ser chantageada por Silvia, deu uma pancada na moça que a fez cair do segundo andar da mansão, e depois foi movida para a piscina.
Mesmo de maneira implícita, a novela foi a primeira a abordar um caso homoafetivo, entre Mahler e Cauê. O fato de Cauê ser "filho" adotivo, foi uma imposição da Censura Federal para que a abordagem pudesse ser mostrada. Mesmo assim, cenas entre eles passaram por cortes. Assim como as cenas envolvendo a relação entre Roberta (Regina Viana) e Glorinha (Isabel Ribeiro).
Bete Mendes virou um "icone gay" por causa de sua personagem. O penteado de Silvia virou moda, mas havia uma explicação para os cabelos curtos. Tempos antes, ela havia sofrido um grave acidente de carro que lhe causou um traumatismo craniano. Ela teve a cabeça raspada e ficou muito debilitada, perdendo peso, e aparecendo bem magra na televisão.
O cenário da mansão Mahler, ocupava 300m², tinha seis metros de altura e dois andares. Liderados por Mário Monteiro e Gilberto Vigna, a construção mobilizou duzentos funcionários durante um mês. As consultoras de arte Tiza Oliveira e Lila Bertazzi auxiliaram a equipe de produção a seguir a risca regras de etiqueta, protocolos e boas maneiras para se aproximar da realidade de um evento da alta sociedade. Mesmo assim, alguns comportamentos de personagens foram questionados por jornalistas especializados. Ibrahim Sued comentou que os convidados não entregam os convites na porta em festas assim. Mas a justificativa era de que somente Boneco (Lima Duarte) fez isso. Afinal, ele havia roubado o convite e não sabia de tais protocolos. Também foi questionado as velas apagadas que ficavam nos candelabros, o que foi justificado pelo fato das gravações durarem muitas horas, e as velas derreteriam em cena se estivessem acesas.
O músico Paulo César Oliveira ficou responsável pela música ao vivo nas cenas da festa. Porém, quando não gravava, a música seguia tocando eu seu piano. O que ficou conhecido como "piano fantasma" e virou piada no Satiricom. A abertura contou com ilustrações da artista plástica Marguerita Fahrer, animadas por Cyro Del Nero.
Em algumas localidades do Brasil, a novela foi exibida com defasagem de capítulos. Isso porque a Globo ainda uma programação totalmente unificada em rede nacional. Por causa disso, a novela estreou em São Paulo dois dias após estrear no Rio de Janeiro.
Em 22 de janeiro de 2024, o Globoplay disponibilizou os dois únicos capítulos preservados no acervo da Globo, o primeiro e o 92. Os outros capítulos se perderam durante o incêndio que aconteceu na emissora em 1976 e pelo costume da época de se reaproveitar as fitas para outras gravações, por serem caras..
Reboot[]
- Ver artigo: O Rebu (2014)
Entre 14 de julho e 12 de setembro de 2014, foi exibida no horário das 23h um reboot da novela. Escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, com direção de José Luiz Villamarim. Esta versão apresentou uma nova história, com novos personagens, mas mantendo o formato narrativo e algumas características da versão original. Contou com Patrícia Pillar no papel de Angela Mahler, correspondente feminino a Conrad Mahler.