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Roque Santeiro foi a 34ª novela das 20h da Globo. Escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, adaptada da peça teatral "O Berço do Herói", de Dias. Com colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis, direção de Gonzaga Blota, Marcos Paulo e Jayme Monjardim, e direção geral de Paulo Ubiratan. Exibida entre 24 de junho de 1985 e 22 de fevereiro de 1986, em 209 capítulos, sucedendo Corpo a Corpo e antecedendo Selva de Pedra.

Com José Wilker, Regina Duarte, Lima Duarte, Yoná Magalhães, Ary Fontoura, Eloísa Mafalda, Ilva Niño, Armando Bógus, Lucinha Lins, Rui Rezende, Cássia Kis, Cláudio Cavalcanti, Fábio Júnior e Lídia Brondi nos papéis principais.

Enredo[]

A fictícia cidade de Asa Branca prospera com a lenda de Roque Santeiro (José Wilker), como era conhecido Luís Roque Duarte. Um coroinha que esculpia imagens sacras e que teria morrido ao defender a localidade de uma invasão. A imagem de Roque é santificada e muitos atribuem milagres a ela. Despertando interesses religiosos, políticos e econômicos. Eis que Roque está vivo e retorna à cidade, mexendo com o local e ameaçando os interesses de poderosos, temendo o fim do mito que dá lucro a eles.

O principal nome, dentre aqueles que querem que a farsa seja mantida, é o poderoso fazendeiro Sinhozinho Malta (Lima Duarte), que mantém uma relação intensa com Porcina da Silva (Regina Duarte), famosa por ser a suposta viúva de Roque "sem nunca ter sido". Sinhozinho vê sua relação amorosa com Porcina ameaçada com a volta de Roque, pois isso reascende a paixão que ela teve por ele. O retorno do "falso morto" afeta Mocinha (Lucinha Lins), a verdadeira noiva de Roque antes da suposta morte. Eternamente apaixonada por ele, manteve-se virgem até então, mesmo achando que seu amado estivesse morto, e tem ressentimentos de Porcina por esta se considerar a esposa de Roque.

Dentre aqueles que defendem que a verdade sobre a morte de Roque deve ser revelada, há o padre Albano (Cláudio Cavalcanti), um religioso progressista que luta pelos trabalhadores e para acabar com o mito de Roque Santeiro. Ele acaba se apaixonando por Tânia (Lídia Brondi), a contestadora filha de Sinhozinho Malta, e fica dividido entre o amor e o sacerdócio.

Elenco[]

Intérprete Personagem
José Wilker Luís Roque Duarte (Roque Santeiro)
Regina Duarte Porcina da Silva (Viúva Porcina)
Lima Duarte Francisco Teixeira Malta (Sinhozinho Malta)
Lucinha Lins Mocinha Abelha
Yoná Magalhães Matilde Mendes de Oliveira
Paulo Gracindo Padre Hipólito
Lídia Brondi Tânia Magalhães Malta
Cláudio Cavalcanti Padre Albano Rodrigues
Fábio Júnior Roberto Mathias
Ary Fontoura Florindo Abelha (Seu Flô)
Eloísa Mafalda Ambrosina Abelha (Dona Pombinha)
Armando Bógus José Ribamar de Aragão (Zé das Medalhas)
Cássia Kis Lugolina de Aragão (Lulu)
Patrícia Pillar Linda Bastos França
Luiz Armando Queiroz Tito Moreira França
Ewerton de Castro Gérson do Valle
Rui Resende Professor Astromar Junqueira
Nélia Paula Amparito Hernandez / Maria do Amparo
Othon Bastos Ronaldo César
Oswaldo Loureiro Aparício Limeira (Navalhada)
Elizângela Marilda Mathias
Alexandre Frota Luiz Cláudio (Luizão)
João Carlos Barroso Toninho Jiló
Arnaud Rodrigues Cego Jeremias
Nelson Dantas Salustiano Duarte (Beato Salu)
Wanda Kosmo Marcelina Magalhães
Maurício do Valle Delegado Feijó
Cláudia Raia Ninon / Maria do Carmo
Ísis de Oliveira Rosaly
Maurício Mattar João Duarte (João Ligeiro)
Cláudia Costa Carla
Ilva Niño Filismina (Mina)
Tony Tornado Rodésio
Luiz Magnelli Decembrino
Lícia Magna Ciana
Cristina Galvão Dondinha
Waldyr Sant'anna Terêncio Apolinário
Sandro Solviatti Sua Majestade
Ana Luiza Folly Noêmia
Gabriela Bicalho Cristina de Aragão (Tininha)
Bruno César Raul de Aragão (Raulzinho)

Participações especiais[]

Intérprete Personagem
Lílian Lemmertz Margarida Magalhães Malta
Tarcísio Meira Coronel Emerenciano Castor
Angela Leal Odete Limeira
Lutero Luiz Dr. Cazuza Amaral / Teodorico Carlos Zureta
Edyr de Castro Nininha
Milton Gonçalves Promotor Lourival Prata
Vera Manhães Neusa Prata
Ângela Figueiredo Selma Sotero
Dedina Bernardelli Ângela Flores
Regina Dourado Efigênia Limeira
Leina Krespi Maria Igarapé / Idalvina
Marcos Paulo Jorge de Lima
Dennis Carvalho Marcos Tomazzini
Arthur Costa Filho Dr. Denílson (Dr. Cipó)
Paulo César Pereio Delegado José Benevides
Ivan Setta Ivan
Cininha de Paula Berenice
Walter Breda Francisco
Fernando José Oliveira
José de Freitas Deputado Ferreira de Jesus
Heloísa Helena Madre Felícia
Vera Lúcia Tia Sinhá Maria
Cláudio Gaya Jurandir
Jorge Fernando Lúcio Armando
Alfredo Murphy Alemão
Gilson Moura Sebastião Evangelino (Tião)
Manoel Theodoro Seu Devagar
Guaracy Valente Antônio das Tintas
Sílvio Pozatto Helinho
Lídia Iório Sinhá Maria
Ivan Simões Zé Colméia
João Reys Pedro Afonso
Lu Mendonça mãe de Porcina
Tonico Pereira pintor da igreja
Hemílcio Fróes fiscal do governo
Denny Perrier guia turístico
Antônio Pitanga líder dos jagunços
Valter Santos matador
Fernando Almeida Pratinha
Zé Préa morador de Asa Branca
Jorge Coutinho morador de Vila Miséria
Dhu Moraes moradora de Vila Miséria
Izabella Bicalho Porcina (criança)
Gabriela Senra Lulu (criança)
Luiz Rigoni ele mesmo
Tonico e Tinoco eles mesmos

Produção[]

Em 1975, a Globo começou a produzir a adaptação de "O Berço do Herói" de Dias Gomes, em comemoração ao seu aniversário dez anos no ar. Escrita pelo próprio Dias Gomes e dirigida por Daniel Filho, sucederia Escalada e teria Lima Duarte como Sinhozinho Malta, Betty Faria como Viúva Porcina e Francisco Cuoco como Roque Santeiro. Intitulada de A Fabulosa Estória de Roque Santeiro e de Sua Fogosa Viúva, a Que Era Sem Nunca Ter Sido, a novela teve 51 capítulos escritos, quase 30 gravados e 10 editados quando foi vetada no dia de sua estreia pela Censura Federal. Após um adiamento e problemas com a aprovação da história, que teve capítulos escritos e gravados vistos pela Censura Federal, pela sua abordagem política.

Diante desta proibição, o horário das 20h foi ocupado por uma reprise compacta de Selva de Pedra, enquanto Janete Clair foi escalada para escrever uma novela às pressas, com parte do elenco da trama vetada e seus cenários. Lançando Pecado Capital três meses depois, mantendo o trio protagonista.

Onze anos mais tarde, com o fim da Ditadura Militar, a obra pôde ser adaptada para a televisão. Em um momento onde o Brasil vivia uma "Nova República" e uma maior liberdade de expressão, a novela se tornou um marco na TV brasileira e a de maior audiência da história. Simbolizando e satirizando o momento em que o país vivia na época, seu último capítulo marcou 72 Pontos, com picos máximos de 100 pontos. Ao todo, 74 pontos no "método flagrante" do IBOPE (onde funcionários do instituto iam nas casas de telespectadores, que registravam o que assistiram o dia). Enquanto no "método eletrônico" da AudiTV (onde a audiência era registrada através de receptores eletrônicos conectados á televisão) marcou 63 Pontos, perdendo o posto de maior audiência para Tieta, que teve 65 Pontos de média.

Foi a primeira vez que a faixa teve uma novela que mesclava regionalismo e realismo fantástico, em vez de um drama urbano. Estilo característico das obras que Dias Gomes escrevia para a faixa das 22h.

Dias Gomes reutilizou os 51 capítulos escritos em 1975 e escreveu mais 48. Mas, cansado do ritmo imposto pela televisão, chamou Aguinaldo Silva para ser coautor. Aguinaldo atualizou os 51 capítulos iniciais, e escreveu os 110 capítulos que ainda não tiveram sido escritos. Entretanto, o sucesso da novela fez com que Aguinaldo e Dias protagonizassem uma longa brigas, pois cada um queria ser reconhecido sozinho pelo êxito da história.

Em determinado momento, Dias Gomes se afastou da novela e teria viajado para a Europa por três meses. Em seu retorno ao Brasil, Dias teria ficado irritado com a exposição de Aguinaldo por conta da obra, e chegou a pedir para que Aguinaldo deixasse a autoria. Silva deixou, mas declarou que Dias estava apenas interessado em escrever o último capítulo. A briga entre os dois, em busca de direitos autorais e de criação se intensificou a menos de dois meses para o fim da novela. Em um acordo com Boni e a Globo, proposto por Aguinaldo Silva, ficou definido que Aguinaldo e Dias teria, cada um, 40% de participação nos lucros da novela, enquanto os 20% restantes ficavam para os colaboradores. Tudo isso afetou a relação entre os dois autores, que só voltaram a se falar em 1999, pouco antes da morte de Dias Gomes.

Lima Duarte, que viveria Sinhozinho Malta originalmente, aceitou reviver na nova versão. Já Betty Faria, que seria Porcina, recusou alegando não conseguir conciliar o trabalho com a vida pessoal e por não gostar da personagem. Diversas atrizes foram cogitadas para substituir Betty. Até que Daniel Filho convidou Regina Duarte, que aceitou o papel em um dia e no outro já estava no estúdio para gravar e definir a composição de sua personagem.

A cidade cenográfica foi construída em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A fictícia Asa Branca foi inspirada em cidades que viviam em função da religiosidade, como Juazeiro do Norte (CE), Porto das Caixas (RJ) e Aparecida do Norte (SP). O desejo era de retratar todas as regiões do Brasil em um único lugar, misturando elementos de todas as regiões do país . A equipe de cenografia, liderada por Mário Monteiro, contou com 130 profissionais que ergueram 26 prédios de madeira tratada em 20 dias. Construções como a igreja e a barbearia tinham interior próprio, o que dispensava o uso de estúdio nas cenas com esses lugares. A vegetação que cercava a Praça da Igreja Matriz era artificial. A estátua de Roque Santeiro foi inspirada no Monumento aos Dezoito do Forte, da Avenida Atlântica, do Rio de Janeiro. Foi feita para a versão de 1975 e reaproveitada.

Algumas cenas forasm gravadas em Dallas, nos Estados Unidos. Dirigidas por Marcos Paulo que fez uma participação interpretando um motorista durante estas sequências.

Na versão de 1975, o personagem João Ligeiro seria uma peõa masculinizada interpretada por Cidinha Milan. Na versão de 1985, tornou-se um homem, interpretado por Maurício Mattar e que inicialmente seria homossexual. A censura federal vetou essa trama, e com isso, João Ligeiro rendeu-se ao amor Dondinha (Cristina Galvão), de quem fugia do assédio, e foi morto logo em seguida. Enquanto Dondinha ficou grávida dele.

A personagem de Regina se destacou pelo seu estilo. Seu figurino extravagante e colorido virou moda na época, como a maquiagem e seus turbantes. E popularizou seu bordão “Minaaaaaaaaa!”, quando chamava sua empregada Mina (Ilva Niño). Sinhozinho Malta também se destacou pelo seu jeito e seu bordão "To certo, ou tô errado?", chacoalhando suas pulseiras logo em seguida. Pelo personagem usar perucas, a venda deste acessório aumentou em 80% no país.

Porcina e Sinhozinho foram um casal que caiu no gosto popular. Sendo marcantes as cenas em que Sinhozinho imitava um cachorro e lambia a mão de Porcina, como se ela fosse sua dona, ao som da música "Dona" do grupo Roupa Nova. Para o último capítulo, em uma cena inspirada no filme "Casablanca", Roque (José Wilker) partia de avião e Porcina ficava dividida entre ele e Sinhozinho Malta, foram gravados dois finais. Uma, em que ela parte de avião com Roque (final desejado por Aguinaldo Silva). A outra, em que ela desiste de partir para ficar com Sinhozinho (final desejado por Dias Gomes). O final escolhido para ser exibido foi o seguindo, devido a popularidade do casal.

Para a abertura, a equipe de Hans Donner utilizou efeitos de chroma key e miniaturas para retratar pessoas e veículos que passavam por elementos da natureza em tamanho gigante. Nela, apareceu um trator da Agrale, uma ação de merchandising comum em novelas da época. A ação publicitária de maior destaque aconteceu dentro da novelas. Tratava-se de um outdoor da Hope em Asa Branca, que mostrava o quadril de um mulher com a calcinha da marca, e que rebolava para o Professor Astromar (Ruy Rezende). Esta ação foi desenvolvida pelo publicitário Agnelo Pacheco.

A novela nunca teve sua trilha internacional lançada. Embora, na internet, espalhou um álbum falso com músicas internacionais e que tinha Patrícia Pillar na capa. Outra trilha internacional foi feita na internet por Wanderson Lucas Nascimento e tinha Ísis de Oliveira na Capa.

Reprises[]

A primeira reprise foi ao ar na Sessão Aventura às 17h, entre 1º de julho de 1991 a 20 de janeiro de 1992, em 135 capítulos, antecedendo Vamp. Marcou 24,25 Pontos de média geral de audiência. A segunda foi ao ar no Vale a Pena Ver de Novo entre 11 de dezembro de 2000 a 29 de junho de 2001, em 145 capítulos, sucedendo A Próxima Vítima. Marcou 15,16 Pontos de média, e devido a baixa audiência desta reapresentação, a Globo definiu como sucessora reprises de episódios do Você Decide.

No Viva, foi ao ar na íntegra na faixa das 0h15 entre 18 de julho de 2011 a 4 de maio de 2012, sucedendo Vale Tudo e antecedendo Que Rei Sou Eu?. A segunda reprise no canal foi ao ar também na íntegra a faixa das 12h20 entre 4 de novembro de 2024 e 4 de julho de 2025, sucedendo A Viagem e antecedendo Por Amor no Globoplay Novelas. Em comemoração aos 40 anos da estreia original, completados em 2025. Esta reprise foi a primeira a exibir o final alternativo da personagem Porcina, no qual ela vai embora com Roque.

DVD[]

Em agosto de 2010, a Globo Marcas lançou o box de DVDs da novela. Contendo 16 discos e uma edição compacta de cerca de 50 horas. Além do box, os DVDs também foram comercializados em formato de fascículos separados, que vinham acompanhados com uma revista que contava curiosidades da novela.

Livros[]

Em 1987, a Editora Globo lançou uma versão em livro da novela, através da coleção "Campeões de Audiência - Telenovelas". Adaptada em formato literário pelo escritor Eduardo Borsato. Em 2008, a Editora Globo lançou um segundo livro, através da coleção "Grandes Novelas". Desta vez, adaptada por Mauro Alencar.

Musical[]

Entre 27 de janeiro e 30 de julho de 2017, ficou em cartaz a peça teatral "Roque Santeiro - O Musical". Dirigido por Débora Dubois. Com Jarbas Homem de Mello interpretando Sinhozinho Malta, Lívia Camargo interpretando Viúva Porcina, Flávio Tolezani interpretando Roque Santeiro, Mel Lisboa interpretando Mocinha e Samuel de Assis interpretando Zé das Medalhas.